Erguer-se

27 27UTC janeiro 27UTC 2012

Tais são os caminhos do mundo
Você nunca sabe
Onde colocar sua fé
E como ela vai crescer

Vou me erguer
Trazer de volta buracos e memórias ocultas
Vou me erguer
Transformar enganos em ouro

Tal é a passagem do tempo
Rápida demais para desistir
E de repente engolida por sinais
Abaixe-se e observe

Vou me erguer
Encontrar minha direção magneticamente
Vou me erguer
Jogar minha pressa na estrada

Entrevista Jornal de Jundiaí na integra – Fraternidade Frassati

28 28UTC dezembro 28UTC 2011

Fraternidade Frassati - Verso l'alto

Fraternidade Frassati - Verso l'alto

1) O grupo com o qual vc e os demais jovens se reúnem se chama Fraternidade Frassati? Ela está ligada à Paróquia Beato Frederico Ozanam? Desde quando existe? Qual o objetivo? (seria uma ação social de evangelização por meio de testemunhos, arte, música e cultura como um todo? ) O grupo conta com quantos participantes?
Sim, o grupo é inspirado no Beato Pier Giorgio Frassati, um jovem leigo católico, de Turim, Itália, que viveu de 1901 à 1925, que gostava de praticar esportes, de rezar no meio das montanhas, de comungar diariamente e principalmente de ajudar aos mais pobres. Era apaixonado por aquilo que vivia e chamava atenção de todos por sua alegria contagiante. Entre suas frases que mais nos chama atenção está: “Viver sem uma Fé, sem um patrimônio para defender, sem sustentar a Verdade numa luta contínua, não é viver, mas fingir que se vive.”

O grupo está ligado sim. Pe. Paulo Andre nos abraçou e nos forneceu as ferramentas para caminharmos, ele nos incentiva a seguir em frente, e nos confia uma missão: “ Que vocês atinjam aonde meus braços não conseguem alcançar.” Além disto, estamos ligados a todo núcleo jovem da Paróquia, aonde acompanhamos desde os jovens da Perseverança, fazendo teatro com eles, até os jovens da Crisma, realizando retiros e acompanhando seus encontros.

O grupo iniciou as atividades na paróquia no dia 05/02/2011, mas algumas pessoas já eram amigas e faziam parte de outros grupos.

O objetivo é fazer com que as pessoas vivam melhor a partir do evangelho de Cristo. Acreditamos que a caridade da sentido a fé, quando realizamos uma ação social traduzimos os ensinamentos da Sagrada Escritura em gestos concretos, colocamos em prática aquilo que aprendemos São Tomas de Aquino, vem nos dizer: “Pela caridade o homem é posto na mesma realidade divina, fazendo-se um com Ele”. Quando dizemos que evangelizamos de maneiras diversas, dizemos que trabalhamos na linguagem do público que nos escuta, por exemplo: Se converso com um morador de rua, evangelizo apartir do testemunho de uma pessoa que já foi morador de rua, já se falo com um jovem, evangelizo através daquilo que ele gosta, como música, teatro, esporte e até mesmo na brincadeira. Uma frase do Beato João Paulo II nos motiva e traduz aquilo que buscamos: ”-Se a fé não se tornar cultura, arte e beleza – não consegue atrair para Cristo a humanidade sedenta de verdade e beleza”, entretanto, o testemunho é o que atrai, se vivemos e refletimos uma saúde mental, um bom relacionamento com o próximo, as pessoas automaticamente se aproximam querendo conhecer o nosso trabalho e se envolver.

Por reunião freqüentam em média 25 pessoas, mas acredito que a nossa volta já estejam envolvidas cerca de 60 pessoas.

2) A Hanaí da Pascom me disse que o grupo costuma se reunir aos sábado à noite, após a missa, ao invés de sair noite afora. O que vcs costumam fazer quando se reúnem?
Isto todo sábado , inicia com a missa. Nosso grupo é muito dinâmico, não tem uma programação fixa, agimos conforme a circunstância e temos como tema o evangelho do dia, de maneira geral, todo mês dedicamos um fim de semana a pastoral de rua, adoração, formação e partilha a respeito do que estamos vivendo, em cima disso temperamos cada momento com muita musicalidade, dinâmica, oração, brincadeira, poesia, passeio, teatro, desafios e debates sobre temas gerais, a exemplo de: namoro, família, vocação, vestibular, trabalho, faculdade, dificuldades, sexualidade, enfim ,o grupo vai em cima da realidade que vivemos atualmente.

3) Por que resolveram integrar este grupo? Vcs preferem estas reuniões a saírem pra uma balada? Por que?
Resolvemos criar este grupo para extrairmos mais essência da vida, buscar viver de melhor maneira e principalmente ajudar o próximo, seja ele quem for e da maneira que há necessidade, começando por nós do grupo. O sábado a noite é um convite ousado, é um dia que normalmente há muitos compromissos de entretenimento, quando se opta por fazer o grupo no sábado, surge à concorrência com o dia mais quente das baladas rs.

Nossa luta não é contra a balada, nossa luta é por uma juventude melhor. Não vamos contra esta realidade. Quer uma prova disso? Em nosso retiro organizamos uma Cristo-Teca, que tinha o mesmo sistema de iluminação e as mesmas batidas das músicas que se ouve hoje nas baladas, vamos contra aquilo que é imposto muitas vezes neste ambiente, ou seja, tudo aquilo que agride a saúde e os valores humanos. Temos também membros que saem do grupo e vão para balada, neste caso temos o papel de sermos como “Pais”, que conscientiza e adverte dos riscos que o ambiente pode trazer, mais ai rola uma conversa de jovem para jovem.

4) Qual a opinião de vcs sobre os jovens que vão pra balada, se embebedam, usam drogas etc? O que vcs acham que falta na vida destas pessoas? Que conselho dariam?
Os jovens que vão para balada, são como nós. De maneira geral buscam extrair da vida a alegria em viver, entretanto, nós do grupo um dia experimentamos de uma alegria que originava de outra fonte, desde então, por decisão pessoal priorizamos ela. Bento XVI tem uma frase que diz: Deus é a fonte da vida; eliminá-lo, equivale a separar-se desta fonte e, inevitavelmente, privar-se da plenitude e da alegria. Sem o criador, a criatura se dilui…” Aqueles que estão perdidos, ou até mesmo aqueles que buscam viver melhor, nos diríamos para experimentar da bebida que jorra desta fonte.

5) A ação de fim de ano integra as atividades do grupo? Este será o terceiro ano, é isso? Confirme a data e horário corretos e os locais que vc visitarão?
Nós fazemos uma pastoral de rua por mês, mas a de Natal é especial por inúmeros motivos. Como diz Pe. Paulo: ”A noite Santa do Natal é um dos momentos mais significativos para quem tem fé. Nosso Pai, na sua bondade infinita, resolveu se tornar criança para nos ensinar a ser grande de alma. Fez-se pobre, para ensinar a sermos ricos de coração, amando a todos, sobretudo os pequeninos, os humildes, os sofredores, os empobrecidos.” Nada melhor do que atravessar esta data, celebrando junto daqueles que estão na rua, vivenciando o ápice litúrgico da fé, na pratica daquilo que Deus nos ensina.

Venho de uma família evangélica, no meu caso eles não comemoram o natal, então em 2008 eu e meu amigo e também coordenador do grupo Rubens, resolvemos passar nosso natal numa casa de recuperação junto de ex-moradores de rua, a experiência foi bacana, mais ali naquele contexto eles já viviam um espírito natalino, sendo assim no natal de 2009 resolvemos passar o natal na rua, e a experiência foi maravilhosa, éramos em 4 pessoas, uma delas era um ex-morador de rua , foi um dia inesquecível, de muitos aprendizados, histórias, e lições de vida. Lembro de uma delas, que no momento de oração, perguntei se ele tinha algum motivo para agradecer a Deus e ele disse: “Quero agradecer Deus pelas latinhas que eu consegui hoje, pelo churrasco de confraternização que teve no ferro velho e por vocês estarem aqui comigo.” O natal é carregado de uma mística, de boas lembranças, basta falarmos de família, que muitos deles choram. Motivados pelo sucesso da primeira experiência, no natal de 2010 resolvemos ir além, reunimos mais amigos, nos organizamos mais e atingimos assim mais pessoas e um dos frutos que esta pastoral gerou, foi a união entre as pessoas, para começarmos um novo grupo.

A pastoral de Natal deste ano será dia 24/12 as 22:00 hrs. na Av. 9 Julho embaixo do viaduto da Av. Jundiaí. Lá tocaremos violão, rezaremos e entregaremos flores no semáforo. Quando for por volta das 12:00 sairemos de carro em grupos diversos, cada um com destino diferente, buscando em becos, pontes e vielas, sem um destino exato, mas parando diante daqueles que encontrarmos.

6) Nestas visitas, o que vcs oferecerão aos moradores de rua e de locais carentes?
Levamos a boa nova do evangelho, buscando conscientizá-los da existência de um propósito maior para esta vida, amparando aqueles que buscam esta mudança, proporcionando estrutura e suporte para que esta transformação aconteça, claro também levamos um alimento físico, que é a ponte que construímos de nós, até eles.

7) Quantas jovens deverão participação desta ação no final do ano? Quais as idades? O que esta participação acrescenta na vida de vcs?
Esperamos a presença de 30 pessoas. Nosso grupo ajuda na administração de uma entidade que acolhe o pessoal de rua de Campo Limpo Paulista, a Casa Santa Luzia, neste dia vamos trazer do sitio algumas pessoas para nos acompanhar e também vamos acolher aqueles que se sentirem tocados a saírem das ruas, na última pastoral que fizemos, levamos para nossas casa 5 pessoas do centro de Jundiaí.

Apesar da grande maioria de nossos membros serem jovens, não temos fronteiras na idade, o que vale é ter o espírito jovem, e o coração disposto a acompanhar o nosso ritmo e as nossas idéias. O mais novo do grupo tem 13 anos, já o mais velho 51 anos.

Temos muito a aprender com os moradores de rua, em especial no que diz respeito ao desprendimento que vivem e pela fé em Deus que carregam. Sem dúvida, essas virtudes são alimentadas pela necessidade de sobrevivência. É bom deixar claro que a rua não é feita de santos injustiçados, mas sim de pessoas que sofrem as conseqüências de erros cometidos no passado e no agora, entretanto, o fato das malesas deles estarem expostas, faz com que muita gente se afaste e descrimine, é desta ausência que surge nosso trabalho, pois assim como eles reciclam papelão, latinha e etc, acreditamos que podemos ajudá-los reciclar a vida em Cristo.

8) É permitida a participação de pessoas de fora o grupo que queiram acompanhá-los?
Sim, o grupo é aberto. São dadas orientações antes da saída para a pastoral a respeito de como se comportar na rua, o que falar e por fim pedimos para usar roupas modestas. É interessante ressaltar que o grupo acolheu durante este ano pessoas de denominações evangélicas. Acreditamos que a caridade é um dos passos mais eficaz rumo ao ecumenismo.

9) Quantas pessoas vcs deverão visitar neste final de ano, vc tem ideia?
Vamos montar 100 Kits de natal. Acredito que encontraremos com umas 80 pessoas, entre famílias vulneráveis e moradores de rua.

10) Em poucas palavras, o que as pessoas podem esperar desta ação ‘natalina’?
Vou usar novamente as palavras de nosso Pe que diz: “Solidariedade não pode ser pão de uma só refeição, mas alimento para todos os dias, pois o Senhor não nasceu para um só dia, e sim para uma vida inteira.”

http://www.portaljj.com.br/interna.asp?Int_IDSecao=10&Int_ID=166781

Um salto sobre o medo.

28 28UTC novembro 28UTC 2011

Pedra Bela - SP

Pedra Bela - SP

Era domingo, cedo, por volta de umas 07:00 hrs., celular toca, o convite me empolga, pego minha motoca e parto em direção a Pedra Bela, na companhia do guerreiro de guerra Alex, digo isto, pois não existe uma aventura que não seja topado por ele, com um olhar cômico, não há uma situação que não seja transformada em piada. Com ele aprendi a rir do inútil e a brincar com meus defeitos, ele é um clown ambulante.

O céu azul, o sol ardido que anunciava uma chuva futura e as paisagens serranas temperava ainda mais nossa viagem, embalados pela alegria de ir em direção ao desconhecido, íamos cantando na moto, nada era capaz de roubar nossa energia, nem mesmo uns Km andando a mais, por conta de se perdemos.

Chegando, nos deparamos com uma cidade muito simples, mais de uma beleza rara, Pedra Bela fica no interior de SP a uns 20 km de Bragança Paulista, tem cerca de 6.000 habitantes, de atrações que nos ganhamos conhecimento tinha: Um Santuário que fica no alto de uma pedra, umas cachoeiras que ficam a 12 Km do centro da cidade e que por conta da correria não podemos visitá-las e por fim, uma mega tirolesa de 1800 m que liga o santuário ao Centro da cidade.

A primeira coisa que fiz, foi obter informações a respeito da tirolesa, olhando de baixo para cima, parecia um desafio tranqüilo, nada que assusta-se, mais quando questionei um dos organizadores sobre a possibilidade de subir primeiro para conferir a altura, ele me disse: É melhor você ir direto para saltar, não é bom subir duas vezes. Sobre este questionamento fiquei intrigado e fui obstinado, como diz a musica tema de nossa peregrinação Payne’s Bay de Beirut. Subi para ver o que tinha.

Os 300 degraus não me assustaram, a motivação de estar no alto, fazia com que as dificuldades tornassem nulas, não havia obstáculo, o que havia era degraus que me levavam ao meu destino. Chegando no local a surpresa, olhar a tirolesa de cima para baixo era assustador, você não conseguia acompanhar a olho nu o cabo de aço, so de pensar na possibilidade de se lançar, entrei em pânico, veio a tona aquele sabor amargo e aquele sentimento de impotência, o medo fragilizou meu olhar e fez com que meu amigo grita-se: Arregoooooooooou!

Sim, encarar o meu medo olhando para ele trazia a sensação de impotência, mais quando dei as costas, fui decisivo na minha certeza, e disse para mim mesmo. Eu vou! Para saltar na tirolesa é preciso descer para preencher uma ficha (Que é o contrato do seguro de vida rs) no caminho que me levava até esta base, eu era outra pessoa, emocionalmente eu estava ligado no 220 volts, conversava com todo mundo, ficava me mexendo o tempo todo, não parava de cantar pois a busca pela fuga do medo, aflorava diversos tipos de comportamento.

Assinei o seguro de vida, coloquei o equipamento, paguei e subi novamente, na escada encontrei pessoas que diziam: você vai saltar? Então eu vou subir lá para ver. Era o primeiro salto do dia, isto já era mais que 11hrs da manhã. A pergunta que todos faziam era: Você esta com medo? Enquanto o equipamento era amarrado em mim, o vento batia sobre o meu rosto, na mente vinha a frase que a Missão Belém aderiu no seu estatuto que diz: As coisas mais bonita primeiro se faz, depois se pensa.

Até agora não sei se fiz uma coisa bonita, sei apenas vivenciei uma das experiências mais forte de minha vida. Aprendi que não sou capaz de anular meu medo, mais sou capaz de lidar com ele, e superá-lo da minha maneira. Uma coisa é certa, o melhor nem é o salto, o melhor é o pós-salto, ele vem carregado de leveza interior, e traz a sensação de superação.

Vale à pena!

Quebra-cabeça

26 26UTC outubro 26UTC 2011

Tudo começa a ficar no seu devido lugar.
A liberdade, a se aflorar;
A verdade, a se proclamar;
Seu delírio, a se afogar;
Uma nova aurora começa despertar;
O novo e o bom dia começa agora,
e termina sabe Deus a hora.

O Teatro Mágico – Transição

13 13UTC outubro 13UTC 2011

Apreciar os riscos e suposições
Manifestar brandura e mansidão
Assegurar acessibilidade
E preservar coragem e transição

Se enunciar repleta, intacta
Apta a habitar todo lugar
Se aflorar bela

Assim que for embora
Perpetuar a história
Desvalidar o improvável
Desdenhar do inconcebível

Ocupar o “a” das horas
Plenas, serenas, inéditas e autênticas
Revidar dela

Desperta em nós
Nova aurora ao coração
Ensina a perder medo
Alcança a voz
Acordar de prontidão
Anunciar

Milagres acontecem quando a gente vai à luta
Milagres acontecem quando a gente vai…
Milagres acontecem quando a gente vai à luta

O amor é feito de atos.

3 03UTC outubro 03UTC 2011

Minha juventude é marcada pelo desejo de traduzir os ensinamentos da Sagrada Escritura através dos meus atos. Não atoa que, com 20 anos, participava de pastorais aos sábados, era voluntario de uma entidade que prestava assistência aos moradores de rua e que, um ano mais tarde, eu já tinha sob minha responsabilidade uma casa com cerca de 30 moradores de rua para administrar, alias, acredito que seja por isso que hoje trabalho em uma entidade de caridade.

O ápice da minha fé é alcançado quando me entrego a Deus e permito, sem medo, que Ele conduza meus passos, mesmo caminhando no escuro. Entregando-me, encontro sentido naquilo que escuto e transformo em ações a sua Palavra.

No amor que proporciona desenvolvimento ao próximo e na oração que alavanca dos pensamentos medíocres, para a nobreza dos pensamentos de Deus encontro sentido na vida. É certo que vivendo em  ritmo tão acelerado, me esbarrava na limitação cotidiana, onde faculdade, trabalho e família faziam parte desta rotina, então não demorou muito para entender o sentido das palavras de São Vicente de Paulo:

-A perfeição não consiste na multiplicidade das coisas feitas, mas no fato de serem bem feitas.”  

Desacelerando o ritmo da ação, temos mais qualidade na execução. O agir deve estar alinhado com o necessário, ou seja, com a vontade de Deus. Cuidado para não viver dando golpes no ar (1Cor 9,26) e fazendo o bem que não é necessário (Rm 7,19). Diante de tais questionamentos a maturidade começa florir em nossa vida, e com isto começo a me descobrir em uma nova fase.

A vida do cristão é repleta de fases. A principio nos encontramos, mas desconfiamos do território novo. Aos poucos, vamos nos entregando e nos permitindo envolver, até que nos apaixonamos, somos movidos por um belo sentimento de leveza e paz e por fim, já não vivemos a paz, mas a luta constante por ela, já não vivemos o sentimento do amor, mas a decisão constante de vive-lo. Creio que foi durante esta fase de luta, que Nelson Mandela pronunciou estas palavras:

“- Santos são os pecadores que continuam lutando.

Conforme o entusiasmo vai nos deixando,  por mais que a súplica seja grande, vamos nos deparando com  nossos limites psicológicos e físicos, além disso, chegamos a um momento na vida cristã, onde aquilo que nos motivava ontem, hoje não nos motiva mais e começamos a refletir que toda luta não valeu a pena, que o mundo não tem jeito, que cuidar de mim já é difícil, o outro então, nem se fale…Acho que Angelus Silesius, em determinado momento, se questionava das mesmas considerações, mas de maneira precisa, encontrou e passou conforto em tais palavras:

 “-A rosa não tem porquê. Floresce porque floresce. Não cuida de si mesma. Nem pergunta se alguém a vê…”

Ao mundo tais pensamentos soam como loucura, mas hoje já não faço tanta questão de ser entendido, faço questão apenas de viver aquilo que penso, e se fosse questionado a respeito do que eu penso sobre tudo que vivenciei e o que acho a respeito de Deus, concluiria com as palavras de São João da Cruz:
“-

Deus é como a fonte, da qual cada um colhe conforme o vaso que leva.”

 É por isto que mesmo com o sentimento vazio, continuo firme ao lado daquele que acredito, pois assim como Rubem Alves, creio que:
 “-É no vazio das jarras que se colocam as flores…”

Concluo com uma prece:

-Senhor, que meu meus atos continuem, hoje e sempre, me ensinando a amar. Amém!

Verso l’alto!

Vejo o que sou.

28 28UTC setembro 28UTC 2011

Existem pessoas  dificílimas de lidar. No primeiro contato não, todas são amigáveis e carinhosas, mas conforme o nível de intimidade evolui, as máscaras vão caindo. Quer um exemplo? O que acontece quando dois porcos espinhos se aproximam? Um acaba ferindo o outro com sua ‘maneira de ser’. O mesmo acontece conosco, quando falta o amor. Não entendemos a ‘maneira de ser’ do semelhante.

É penoso aceitar diferenças pois, nenhum ser humano é igual ao outro por mais que vivenciem o mesmo contexto e uma mesma realidade, cada um tem conclusão própria, conforme suas crenças e experiências. Já dizia Santo Agostinho:

“Dois homens olharam através das grades da prisão; um viu a lama, o outro as estrelas”.

Acho que Liev Tolstó tentou transmitir algo parecido quando disse:

Há quem passe pelo bosque e só veja lenha para a fogueira”.

O modo como enxergamos a vida, determina nossa ‘maneira de ser’. Refletimos aquilo que trazemos dentro de nós, transmitimos e principalmente reagimos conforme aquilo que esta em nosso interior. Conta-se que em determinado momento da vida de Thomas Edison, seu laboratório foi incendiado e ao observar as chamas queimando tudo, teria dito: “Crianças, chamem sua mãe. Ela jamais virá outro incêndio como este“.
  Diante de tudo que ele tinha perdido, poderia reagir de inúmeras maneiras desesperadoras, mas surpreendendo, reagiu apreciando  o que o momento tinha de mais belo a oferecer.

A respeito do direcionamento do olhar, a Sagrada Escritura também manifesta seu ponto de vista dizendo:

Onde está o teu tesouro, lá também está teu coração…” (Mt.6-21)

É difícil decorrer a respeito dos pensamentos de Deus, mas não é proibido refletir e opinar. Quando penso em tesouro, reflito naquilo que tenho de precioso, quando digo que o meu coração está lá, digo que toda minha atenção, todo meu olhar, todo meu ser, esta dedicado naquilo que tenho. O olhar que esta em Deus, reflete o amor, o olhar que não esta em Deus, reflete aquilo que esta.

É por isto que admiro os poetas, eles são como Thomas Edison, possuem uma visão que transcende o comum, eles olham para as pedras e vem flores, eles se prendem em outra realidade, Henry Ford sabia onde seu olhar devia estar preso, por isto certa vez chegou afirmar:

“Obstáculos são aquelas coisas medonhas que você vê, quando tira os olhos de seu objetivo”.

Que teus olhos estejam nos teus objetivos, pois assim, não haverá obstáculo capaz de lhe paralisar, mais do que isto, desejo que teus objetivos estejam em Deus, pois assim não existirá dificuldade, mas força para aceitar o ‘porco espinho’ que existe no outro. 

 

Verso l’alto!

PERGUNTAS E RESPOSTAS…

21 21UTC setembro 21UTC 2011

Há dois tipos de perguntas. Uma que precisa ser respondida e outra precisa ser vivida. Há perguntas práticas e perguntas existenciais. Perguntas práticas se contextualizam no horizonte da objetividade. Perguntas existenciais não provocam respostas imediatas. Viver é uma forma de respondê-las. É maravilhoso conviver com elas…

O que torna uma pessoa especial é sua capacidade de viver intensamente por uma causa. São raras nos dias de hoje. Vive-se muito pela metade ultimamente. Pessoas que se empenham na realização de seus sonhos não se conformam com a uniformidade. Assumem o preço de serem diferentes e, geralmente, nadam contra a corrente. Isso requer coragem.

 Coragem de ser, não simplesmente de fazer. Ser é mais difícil do que fazer, afinal, é no ser que o fazer encontra o seu sustento. Faço a partir do que sou. Não, o contrário.

 Tenho encontrado muita gente perdida no muito fazer. Gente que perdeu totalmente o referencial existencial de suas vidas. Gente que se empenhou e investiu na vida só para um dia poder fazer alguma coisa. Estudou, lutou, aprofundou, com o desejo de um dia poder desempenhar uma função.

É claro que o fazer também realiza, faz feliz, mas não podemos negar que há uma realidade que precede o mundo da prática.

 O significado que sou. No silêncio do coração, há um lugar que não sabe fazer nada. É lá que nos descobrimos em nosso primeiro significado. É ele também o nosso lado mais sedutor. É ele que faz com que as pessoas se apaixonem por nós. É justamente por isso que ele tem que ser bem descoberto, de maneira que, quando façamos o que quer que seja, tudo o que fizermos tenha as marcas do que somos. É simples. Medicina muita gente faz, mas é no exercício da profissão que cada pessoa se mostra em sua intimidade mais profunda. Aí mora a diferença. Muitos Fazem a mesma faculdade, mas se encontram de maneira diferente com o conhecimento que recebem. Realizo tudo a partir de minha particularidade. Sou único, ainda que imitado por muitos.

Eis a questão Essas coisas me fazem pensar na beleza e na responsabilidade que essa diferença nos traz. Ela nos coloca diante da vida como um acontecimento que merece ser sorvido com toda a intensidade do nosso coração. Agir é um desdobramento do meu ser. Eu sou, antes de fazer qualquer coisa. Há em mim uma realidade que me faz significar, mesmo que um dia eu fique totalmente incapacitado de realizar qualquer ação. Eu sou, mesmo na incapacidade dos movimentos e na impossibilidade dos gestos.

Nem sempre podemos compreender tudo isso, por mais simples que seja. Vivemos na era da utilidade, onde tudo tem que estar conectado a uma função prática, onde o fazer prevalece sobre o ser. O que você faz na vida? Esta é a pergunta. O que você é na vida? Continua sendo a pergunta. Mas a primeira é mais fácil responder. Dizer o que se faz não dá tanto trabalho quanto dizer o que se é. O que se faz é simples de se dizer e as palavras nos ajudam, mas dizer o que se é, não é tão simples assim, e por vezes, as palavras nem sempre nos socorrem. Sou muito mais do que posso dizer sobre mim mesmo. Você também. Por isso não gostaria que nossa conversa terminasse com uma pergunta pragmática, dessas que se escutam em todas as esquinas que costumamos freqüentar.

Opto por uma pergunta que não espera por resposta imediata, tão pouco pelo desconcerto da fala. Só lhe peço que honestamente debruce-se sobre ela: Quem é você?

Pe Fabio de Melo

“Noite Escura…”

17 17UTC setembro 17UTC 2011

Existem noites que não são tão escuras, o contraste da lua ilumina distante, repleto de vigor e vida, que nos mostra o caminho, trazendo a esperança do amanhecer.

Assim é Deus, parece que acompanha de longe as coisas, mas nunca se ausenta, esta firme do nosso lado, LUZ que ilumina de dentro para fora e conduz nossos passos.

Entretanto, temos a ‘Noite Escura’, onde não existe esperança, nem lua distante, não há vida, nem vigor, só ausência…

Na ‘montanha russa’ da vida oscilamos entre essas realidades, e para atravessar a ‘Noite Escura’ proporcionada pela vida, nos diz Pe. Paulo:

“É preciso ter um Coração Valente!” Com tais palavras que se iniciou um fim de semana especial.

A correria é impressionante, ela tem uma capacidade de roubar a harmonia. Agimos sem pensar, pensamos, mas não agimos, perdemos organização, atropelamos os momentos, as pessoas, não há concentração, só existe distração. A respeito disto Guimarães Rosa certo dia chegou a descrever meu sentimento:

“O correr da vida embrulha tudo./A vida é assim: esquenta e esfria,/aperta e daí afrouxa,/sossega e depois desinquieta./O que ela quer da gente é coragem…”. Nossa noite de sexta-feira foi marcada de tal maneira por confusão no embarque e desembarque dos crismados, jovens inquietos e indispostos, arroz em bloco, som péssimo, acolhida frustrada e indiferença perante aquilo que era proposto. Sabe aquele dia que tudo da errado? Sabe quando você tem uma prova, mais não tem mente disposta para estudar a prova? Sabe quando você vai para uma batalha, mas entra nela sem sua armadura principal? Assim iniciou-se essa ‘Noite Escura’. Só nos restava coragem!

É difícil descrever uma realidade não vivenciada, normalmente caímos na superficialidade das palavras, seria a exemplo de descrever Roma, mas nunca ter viajado pra lá, ou até mesmo ter ido há muitos anos atrás. O tempo nos rouba a lembrança e faz com que se perca a emoção, alias o discurso que convence é aquele que é pronunciado com o sentimento vivido no momento. Deus permite que vivenciemos a ‘Noite Escura’ para descrevê-la em plenitude e, é claro que no momento, não reconhecemos.

Diria que a ‘Noite Escura’ seria a tristeza que virou poesia. É extrair de nós força até dos momentos de dificuldades, é não se mobilizar diante dos imprevistos da vida, pelo contrario, reagir no amor, florir na esperança de dias melhores. São João da Cruz revela uma plenitude de fé quando revela seu sentimento. Mas como explicar isto a alguém que não tem a capacidade de entender a profundeza das minhas palavras? Como conscientizar que a vida com ausência de Deus não tem sentido. Como mostrar algo, antecipar algo? Tais pensamentos assombraram meu interior, foi o que bastou para que não dormisse na noite da sexta para sábado.

Minha fé é baseada na razão, esta muito mais edificada na força que reconheço em mim, do que na força que Deus pode revelar sobre minha pessoa, isto faz com que eu me coloque na responsabilidade principal de tudo, não deixando Deus ser Deus e tendo assim um potencial limitado. Mas tem hora que Deus parece vencer minha teimosia e consegue agir. O sábado de manhã trouxe LUZ à nossa escuridão, vendo e ouvindo o Rodrigo falar e lembrando do seu testemunho de vida, foi para mim a força que precisava e, naquele instante eu senti o que Deus é capaz de fazer na vida de uma pessoa, naquele instante me recordei do que Deus foi capaz de fazer em minha vida…!

A pedagogia mais eficaz junto aos jovens, foi aquela que abriu os olhos a respeito da realidade e as tragédias vivenciadas hoje, fruto de uma vida sem compromisso e respeito, buscou-se explicar tais palavras do Papa Bento XVI: “Deus é a fonte da vida; eliminá-lo, equivale a separar-se desta fonte e, inevitavelmente, privar-se da plenitude e da alegria. Sem o criador, a criatura se dilui…” E assim, como a luz vence a escuridão, como a vida vence a morte, como o amor supera o odio, o retiro superou todas as expectativas e os momentos vivenciados atingiram o mais íntimo daqueles jovens.

Sabe quando seu time de futebol favorito esta disputando uma final em casa, e logo quando começa o jogo é surpreendido com um gol do adversário. O gol tomado é como um balde de água fria, faz seu time ficar em campo perdido, mas com o tempo começa a se encontrar e a torcida começa apoiar e seu time vai para cima e aos 45 minutos do segundo tempo, consegue virar o jogo e cumprir a sua missão. Este foi o sentimento de vitória que acompanhou meu pós retiro. Talvez pudéssemos ter jogado melhor, devêssemos ter tido mais atenção em alguns momentos, porém nada que dedicação e esforço não sejam capazes de trazer.

Preparado para outro? Creio que nunca estarei! Disposto para outro? Sempre estarei!

Verso l’alto!

“Que Deus ouça…”

8 08UTC setembro 08UTC 2011
Que Deus ouça as preces que lhe dirijo quando estou mansidão e ternura. Quando estou contemplação e respeito. Quando as palavras fluem, sem esforço algum, sem ensaio algum, articuladas e belas, do lugar em mim onde eu e ele nos encontramos e brincamos de roda. Quando nelas incluo as pessoas que têm nome e aquelas que desconheço existirem. E os meus amores. E os meus desafetos. E os bichos. E as plantas. E os mares. E as estrelas. E
Que Deus ouça as preces que lhe dirijo quando o medo me acompanha sem que a coragem se ausente. Quando as coisas seguem o seu rumo sem que eu me preocupe em demasia com o destino desse movimento. Quando eu me sinto conectada com o amor e reverente à vida. Quando as lágrimas nascem apenas de um alegre e comovido sentimento de gratidão. Quando caminho com a rara confiança que só as crianças que ainda não doem costumam experimentar, já que, infelizmente, algumas começam a doer muito cedo.
Que Deus ouça as preces que lhe dirijo quando sou capaz de pressentir o sol mesmo atravessando uma longa noite escura. Quando posso cruzar desertos com a clara convicção de que a vida não é feita somente deles. Quando consigo olhar para todas as experiências, sem que aquelas que me desconcertam me impeçam de valorizar as que me encantam. Quando as tristezas que repentinamente me encontram não atrapalham a certeza da sua impermanência.
Que Deus ouça as preces que lhe dirijo quando amanheço revigorada e anoiteço tranqüila. Quando consigo manter uma relação mais gentil com as lembranças difíceis que, às vezes, ainda me assombram. Quando posso desfrutar do contentamento mesmo sabendo que existem problemas que aguardam eu me entender com eles. Quando não peço nada além de força para prosseguir, por acreditar que, fortalecida, eu posso o que quiser, em Deus.
Mas eu desejo, profundamente, que Deus também ouça as preces que lhe dirijo quando eu não consigo elaborar prece alguma. Quando a dor é tão grande que minha fala não passa de um emaranhado de palavras confusas e desconexas que desenham um troço que nem eu entendo. Quando o medo me paralisa e perturba de tal forma que eu me encolho diante da vida feito um bicho acuado. Quando me enredo nas minhas emoções com tanta confusão que parece que aquele tempo não vai mais passar.
Que Deus ouça também as preces que lhe dirijo quando só consigo chorar e, mesmo depois de já ter chorado muito, tenho a sensação de ainda não ter chorado tudo. Quando me sinto exaurida e me entrego a esse cansaço completamente esquecida dos meus recursos. Há momentos em que a gente parece ignorar tudo o que pode nos ajudar a lidar melhor com os desafios. Há momentos, ainda, em que a gente se confunde sobre o local onde, de verdade, os desafios começam.
Que Deus ouça também as preces que lhe dirijo quando me parece que eu não acredito em mais nada. Quando sou incapaz de ver qualquer coisa além do foco onde coloco a minha dor. Quando não consigo articular meus pensamentos nem entrar em contato com alguma doçura que me faça lembrar das coisas que realmente nos movem. Quando não lhe dirijo nenhuma prece. Nem com palavras. Nem com um sorriso enternecido quando dou de cara com uma flor. Com um pôr-de-sol. Com uma criança. Com uma lua cheia. Com o cheiro do mar. Com o riso bom de um amigo. Que ele me ouça com o seu ouvido amoroso e me acolha no seu coração, porque é exatamente nesses momentos que eu não consigo ouvi-lo em mim.
Ana Jácomo

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