
Fraternidade Frassati - Verso l'alto
1) O grupo com o qual vc e os demais jovens se reúnem se chama Fraternidade Frassati? Ela está ligada à Paróquia Beato Frederico Ozanam? Desde quando existe? Qual o objetivo? (seria uma ação social de evangelização por meio de testemunhos, arte, música e cultura como um todo? ) O grupo conta com quantos participantes?
Sim, o grupo é inspirado no Beato Pier Giorgio Frassati, um jovem leigo católico, de Turim, Itália, que viveu de 1901 à 1925, que gostava de praticar esportes, de rezar no meio das montanhas, de comungar diariamente e principalmente de ajudar aos mais pobres. Era apaixonado por aquilo que vivia e chamava atenção de todos por sua alegria contagiante. Entre suas frases que mais nos chama atenção está: “Viver sem uma Fé, sem um patrimônio para defender, sem sustentar a Verdade numa luta contínua, não é viver, mas fingir que se vive.”
O grupo está ligado sim. Pe. Paulo Andre nos abraçou e nos forneceu as ferramentas para caminharmos, ele nos incentiva a seguir em frente, e nos confia uma missão: “ Que vocês atinjam aonde meus braços não conseguem alcançar.” Além disto, estamos ligados a todo núcleo jovem da Paróquia, aonde acompanhamos desde os jovens da Perseverança, fazendo teatro com eles, até os jovens da Crisma, realizando retiros e acompanhando seus encontros.
O grupo iniciou as atividades na paróquia no dia 05/02/2011, mas algumas pessoas já eram amigas e faziam parte de outros grupos.
O objetivo é fazer com que as pessoas vivam melhor a partir do evangelho de Cristo. Acreditamos que a caridade da sentido a fé, quando realizamos uma ação social traduzimos os ensinamentos da Sagrada Escritura em gestos concretos, colocamos em prática aquilo que aprendemos São Tomas de Aquino, vem nos dizer: “Pela caridade o homem é posto na mesma realidade divina, fazendo-se um com Ele”. Quando dizemos que evangelizamos de maneiras diversas, dizemos que trabalhamos na linguagem do público que nos escuta, por exemplo: Se converso com um morador de rua, evangelizo apartir do testemunho de uma pessoa que já foi morador de rua, já se falo com um jovem, evangelizo através daquilo que ele gosta, como música, teatro, esporte e até mesmo na brincadeira. Uma frase do Beato João Paulo II nos motiva e traduz aquilo que buscamos: ”-Se a fé não se tornar cultura, arte e beleza – não consegue atrair para Cristo a humanidade sedenta de verdade e beleza”, entretanto, o testemunho é o que atrai, se vivemos e refletimos uma saúde mental, um bom relacionamento com o próximo, as pessoas automaticamente se aproximam querendo conhecer o nosso trabalho e se envolver.
Por reunião freqüentam em média 25 pessoas, mas acredito que a nossa volta já estejam envolvidas cerca de 60 pessoas.
2) A Hanaí da Pascom me disse que o grupo costuma se reunir aos sábado à noite, após a missa, ao invés de sair noite afora. O que vcs costumam fazer quando se reúnem?
Isto todo sábado , inicia com a missa. Nosso grupo é muito dinâmico, não tem uma programação fixa, agimos conforme a circunstância e temos como tema o evangelho do dia, de maneira geral, todo mês dedicamos um fim de semana a pastoral de rua, adoração, formação e partilha a respeito do que estamos vivendo, em cima disso temperamos cada momento com muita musicalidade, dinâmica, oração, brincadeira, poesia, passeio, teatro, desafios e debates sobre temas gerais, a exemplo de: namoro, família, vocação, vestibular, trabalho, faculdade, dificuldades, sexualidade, enfim ,o grupo vai em cima da realidade que vivemos atualmente.
3) Por que resolveram integrar este grupo? Vcs preferem estas reuniões a saírem pra uma balada? Por que?
Resolvemos criar este grupo para extrairmos mais essência da vida, buscar viver de melhor maneira e principalmente ajudar o próximo, seja ele quem for e da maneira que há necessidade, começando por nós do grupo. O sábado a noite é um convite ousado, é um dia que normalmente há muitos compromissos de entretenimento, quando se opta por fazer o grupo no sábado, surge à concorrência com o dia mais quente das baladas rs.
Nossa luta não é contra a balada, nossa luta é por uma juventude melhor. Não vamos contra esta realidade. Quer uma prova disso? Em nosso retiro organizamos uma Cristo-Teca, que tinha o mesmo sistema de iluminação e as mesmas batidas das músicas que se ouve hoje nas baladas, vamos contra aquilo que é imposto muitas vezes neste ambiente, ou seja, tudo aquilo que agride a saúde e os valores humanos. Temos também membros que saem do grupo e vão para balada, neste caso temos o papel de sermos como “Pais”, que conscientiza e adverte dos riscos que o ambiente pode trazer, mais ai rola uma conversa de jovem para jovem.
4) Qual a opinião de vcs sobre os jovens que vão pra balada, se embebedam, usam drogas etc? O que vcs acham que falta na vida destas pessoas? Que conselho dariam?
Os jovens que vão para balada, são como nós. De maneira geral buscam extrair da vida a alegria em viver, entretanto, nós do grupo um dia experimentamos de uma alegria que originava de outra fonte, desde então, por decisão pessoal priorizamos ela. Bento XVI tem uma frase que diz: Deus é a fonte da vida; eliminá-lo, equivale a separar-se desta fonte e, inevitavelmente, privar-se da plenitude e da alegria. Sem o criador, a criatura se dilui…” Aqueles que estão perdidos, ou até mesmo aqueles que buscam viver melhor, nos diríamos para experimentar da bebida que jorra desta fonte.
5) A ação de fim de ano integra as atividades do grupo? Este será o terceiro ano, é isso? Confirme a data e horário corretos e os locais que vc visitarão?
Nós fazemos uma pastoral de rua por mês, mas a de Natal é especial por inúmeros motivos. Como diz Pe. Paulo: ”A noite Santa do Natal é um dos momentos mais significativos para quem tem fé. Nosso Pai, na sua bondade infinita, resolveu se tornar criança para nos ensinar a ser grande de alma. Fez-se pobre, para ensinar a sermos ricos de coração, amando a todos, sobretudo os pequeninos, os humildes, os sofredores, os empobrecidos.” Nada melhor do que atravessar esta data, celebrando junto daqueles que estão na rua, vivenciando o ápice litúrgico da fé, na pratica daquilo que Deus nos ensina.
Venho de uma família evangélica, no meu caso eles não comemoram o natal, então em 2008 eu e meu amigo e também coordenador do grupo Rubens, resolvemos passar nosso natal numa casa de recuperação junto de ex-moradores de rua, a experiência foi bacana, mais ali naquele contexto eles já viviam um espírito natalino, sendo assim no natal de 2009 resolvemos passar o natal na rua, e a experiência foi maravilhosa, éramos em 4 pessoas, uma delas era um ex-morador de rua , foi um dia inesquecível, de muitos aprendizados, histórias, e lições de vida. Lembro de uma delas, que no momento de oração, perguntei se ele tinha algum motivo para agradecer a Deus e ele disse: “Quero agradecer Deus pelas latinhas que eu consegui hoje, pelo churrasco de confraternização que teve no ferro velho e por vocês estarem aqui comigo.” O natal é carregado de uma mística, de boas lembranças, basta falarmos de família, que muitos deles choram. Motivados pelo sucesso da primeira experiência, no natal de 2010 resolvemos ir além, reunimos mais amigos, nos organizamos mais e atingimos assim mais pessoas e um dos frutos que esta pastoral gerou, foi a união entre as pessoas, para começarmos um novo grupo.
A pastoral de Natal deste ano será dia 24/12 as 22:00 hrs. na Av. 9 Julho embaixo do viaduto da Av. Jundiaí. Lá tocaremos violão, rezaremos e entregaremos flores no semáforo. Quando for por volta das 12:00 sairemos de carro em grupos diversos, cada um com destino diferente, buscando em becos, pontes e vielas, sem um destino exato, mas parando diante daqueles que encontrarmos.
6) Nestas visitas, o que vcs oferecerão aos moradores de rua e de locais carentes?
Levamos a boa nova do evangelho, buscando conscientizá-los da existência de um propósito maior para esta vida, amparando aqueles que buscam esta mudança, proporcionando estrutura e suporte para que esta transformação aconteça, claro também levamos um alimento físico, que é a ponte que construímos de nós, até eles.
7) Quantas jovens deverão participação desta ação no final do ano? Quais as idades? O que esta participação acrescenta na vida de vcs?
Esperamos a presença de 30 pessoas. Nosso grupo ajuda na administração de uma entidade que acolhe o pessoal de rua de Campo Limpo Paulista, a Casa Santa Luzia, neste dia vamos trazer do sitio algumas pessoas para nos acompanhar e também vamos acolher aqueles que se sentirem tocados a saírem das ruas, na última pastoral que fizemos, levamos para nossas casa 5 pessoas do centro de Jundiaí.
Apesar da grande maioria de nossos membros serem jovens, não temos fronteiras na idade, o que vale é ter o espírito jovem, e o coração disposto a acompanhar o nosso ritmo e as nossas idéias. O mais novo do grupo tem 13 anos, já o mais velho 51 anos.
Temos muito a aprender com os moradores de rua, em especial no que diz respeito ao desprendimento que vivem e pela fé em Deus que carregam. Sem dúvida, essas virtudes são alimentadas pela necessidade de sobrevivência. É bom deixar claro que a rua não é feita de santos injustiçados, mas sim de pessoas que sofrem as conseqüências de erros cometidos no passado e no agora, entretanto, o fato das malesas deles estarem expostas, faz com que muita gente se afaste e descrimine, é desta ausência que surge nosso trabalho, pois assim como eles reciclam papelão, latinha e etc, acreditamos que podemos ajudá-los reciclar a vida em Cristo.
8) É permitida a participação de pessoas de fora o grupo que queiram acompanhá-los?
Sim, o grupo é aberto. São dadas orientações antes da saída para a pastoral a respeito de como se comportar na rua, o que falar e por fim pedimos para usar roupas modestas. É interessante ressaltar que o grupo acolheu durante este ano pessoas de denominações evangélicas. Acreditamos que a caridade é um dos passos mais eficaz rumo ao ecumenismo.
9) Quantas pessoas vcs deverão visitar neste final de ano, vc tem ideia?
Vamos montar 100 Kits de natal. Acredito que encontraremos com umas 80 pessoas, entre famílias vulneráveis e moradores de rua.
10) Em poucas palavras, o que as pessoas podem esperar desta ação ‘natalina’?
Vou usar novamente as palavras de nosso Pe que diz: “Solidariedade não pode ser pão de uma só refeição, mas alimento para todos os dias, pois o Senhor não nasceu para um só dia, e sim para uma vida inteira.”
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