Existem noites que não são tão escuras, o contraste da lua ilumina distante, repleto de vigor e vida, que nos mostra o caminho, trazendo a esperança do amanhecer.
Assim é Deus, parece que acompanha de longe as coisas, mas nunca se ausenta, esta firme do nosso lado, LUZ que ilumina de dentro para fora e conduz nossos passos.
Entretanto, temos a ‘Noite Escura’, onde não existe esperança, nem lua distante, não há vida, nem vigor, só ausência…
Na ‘montanha russa’ da vida oscilamos entre essas realidades, e para atravessar a ‘Noite Escura’ proporcionada pela vida, nos diz Pe. Paulo:
“É preciso ter um Coração Valente!” Com tais palavras que se iniciou um fim de semana especial.
A correria é impressionante, ela tem uma capacidade de roubar a harmonia. Agimos sem pensar, pensamos, mas não agimos, perdemos organização, atropelamos os momentos, as pessoas, não há concentração, só existe distração. A respeito disto Guimarães Rosa certo dia chegou a descrever meu sentimento:
“O correr da vida embrulha tudo./A vida é assim: esquenta e esfria,/aperta e daí afrouxa,/sossega e depois desinquieta./O que ela quer da gente é coragem…”. Nossa noite de sexta-feira foi marcada de tal maneira por confusão no embarque e desembarque dos crismados, jovens inquietos e indispostos, arroz em bloco, som péssimo, acolhida frustrada e indiferença perante aquilo que era proposto. Sabe aquele dia que tudo da errado? Sabe quando você tem uma prova, mais não tem mente disposta para estudar a prova? Sabe quando você vai para uma batalha, mas entra nela sem sua armadura principal? Assim iniciou-se essa ‘Noite Escura’. Só nos restava coragem!
É difícil descrever uma realidade não vivenciada, normalmente caímos na superficialidade das palavras, seria a exemplo de descrever Roma, mas nunca ter viajado pra lá, ou até mesmo ter ido há muitos anos atrás. O tempo nos rouba a lembrança e faz com que se perca a emoção, alias o discurso que convence é aquele que é pronunciado com o sentimento vivido no momento. Deus permite que vivenciemos a ‘Noite Escura’ para descrevê-la em plenitude e, é claro que no momento, não reconhecemos.
Diria que a ‘Noite Escura’ seria a tristeza que virou poesia. É extrair de nós força até dos momentos de dificuldades, é não se mobilizar diante dos imprevistos da vida, pelo contrario, reagir no amor, florir na esperança de dias melhores. São João da Cruz revela uma plenitude de fé quando revela seu sentimento. Mas como explicar isto a alguém que não tem a capacidade de entender a profundeza das minhas palavras? Como conscientizar que a vida com ausência de Deus não tem sentido. Como mostrar algo, antecipar algo? Tais pensamentos assombraram meu interior, foi o que bastou para que não dormisse na noite da sexta para sábado.
Minha fé é baseada na razão, esta muito mais edificada na força que reconheço em mim, do que na força que Deus pode revelar sobre minha pessoa, isto faz com que eu me coloque na responsabilidade principal de tudo, não deixando Deus ser Deus e tendo assim um potencial limitado. Mas tem hora que Deus parece vencer minha teimosia e consegue agir. O sábado de manhã trouxe LUZ à nossa escuridão, vendo e ouvindo o Rodrigo falar e lembrando do seu testemunho de vida, foi para mim a força que precisava e, naquele instante eu senti o que Deus é capaz de fazer na vida de uma pessoa, naquele instante me recordei do que Deus foi capaz de fazer em minha vida…!
A pedagogia mais eficaz junto aos jovens, foi aquela que abriu os olhos a respeito da realidade e as tragédias vivenciadas hoje, fruto de uma vida sem compromisso e respeito, buscou-se explicar tais palavras do Papa Bento XVI: “Deus é a fonte da vida; eliminá-lo, equivale a separar-se desta fonte e, inevitavelmente, privar-se da plenitude e da alegria. Sem o criador, a criatura se dilui…” E assim, como a luz vence a escuridão, como a vida vence a morte, como o amor supera o odio, o retiro superou todas as expectativas e os momentos vivenciados atingiram o mais íntimo daqueles jovens.
Sabe quando seu time de futebol favorito esta disputando uma final em casa, e logo quando começa o jogo é surpreendido com um gol do adversário. O gol tomado é como um balde de água fria, faz seu time ficar em campo perdido, mas com o tempo começa a se encontrar e a torcida começa apoiar e seu time vai para cima e aos 45 minutos do segundo tempo, consegue virar o jogo e cumprir a sua missão. Este foi o sentimento de vitória que acompanhou meu pós retiro. Talvez pudéssemos ter jogado melhor, devêssemos ter tido mais atenção em alguns momentos, porém nada que dedicação e esforço não sejam capazes de trazer.
Preparado para outro? Creio que nunca estarei! Disposto para outro? Sempre estarei!
Verso l’alto!
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