O amor é feito de atos.

Minha juventude é marcada pelo desejo de traduzir os ensinamentos da Sagrada Escritura através dos meus atos. Não atoa que, com 20 anos, participava de pastorais aos sábados, era voluntario de uma entidade que prestava assistência aos moradores de rua e que, um ano mais tarde, eu já tinha sob minha responsabilidade uma casa com cerca de 30 moradores de rua para administrar, alias, acredito que seja por isso que hoje trabalho em uma entidade de caridade.

O ápice da minha fé é alcançado quando me entrego a Deus e permito, sem medo, que Ele conduza meus passos, mesmo caminhando no escuro. Entregando-me, encontro sentido naquilo que escuto e transformo em ações a sua Palavra.

No amor que proporciona desenvolvimento ao próximo e na oração que alavanca dos pensamentos medíocres, para a nobreza dos pensamentos de Deus encontro sentido na vida. É certo que vivendo em  ritmo tão acelerado, me esbarrava na limitação cotidiana, onde faculdade, trabalho e família faziam parte desta rotina, então não demorou muito para entender o sentido das palavras de São Vicente de Paulo:

-A perfeição não consiste na multiplicidade das coisas feitas, mas no fato de serem bem feitas.”  

Desacelerando o ritmo da ação, temos mais qualidade na execução. O agir deve estar alinhado com o necessário, ou seja, com a vontade de Deus. Cuidado para não viver dando golpes no ar (1Cor 9,26) e fazendo o bem que não é necessário (Rm 7,19). Diante de tais questionamentos a maturidade começa florir em nossa vida, e com isto começo a me descobrir em uma nova fase.

A vida do cristão é repleta de fases. A principio nos encontramos, mas desconfiamos do território novo. Aos poucos, vamos nos entregando e nos permitindo envolver, até que nos apaixonamos, somos movidos por um belo sentimento de leveza e paz e por fim, já não vivemos a paz, mas a luta constante por ela, já não vivemos o sentimento do amor, mas a decisão constante de vive-lo. Creio que foi durante esta fase de luta, que Nelson Mandela pronunciou estas palavras:

“- Santos são os pecadores que continuam lutando.

Conforme o entusiasmo vai nos deixando,  por mais que a súplica seja grande, vamos nos deparando com  nossos limites psicológicos e físicos, além disso, chegamos a um momento na vida cristã, onde aquilo que nos motivava ontem, hoje não nos motiva mais e começamos a refletir que toda luta não valeu a pena, que o mundo não tem jeito, que cuidar de mim já é difícil, o outro então, nem se fale…Acho que Angelus Silesius, em determinado momento, se questionava das mesmas considerações, mas de maneira precisa, encontrou e passou conforto em tais palavras:

 “-A rosa não tem porquê. Floresce porque floresce. Não cuida de si mesma. Nem pergunta se alguém a vê…”

Ao mundo tais pensamentos soam como loucura, mas hoje já não faço tanta questão de ser entendido, faço questão apenas de viver aquilo que penso, e se fosse questionado a respeito do que eu penso sobre tudo que vivenciei e o que acho a respeito de Deus, concluiria com as palavras de São João da Cruz:
“-

Deus é como a fonte, da qual cada um colhe conforme o vaso que leva.”

 É por isto que mesmo com o sentimento vazio, continuo firme ao lado daquele que acredito, pois assim como Rubem Alves, creio que:
 “-É no vazio das jarras que se colocam as flores…”

Concluo com uma prece:

-Senhor, que meu meus atos continuem, hoje e sempre, me ensinando a amar. Amém!

Verso l’alto!

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