Um salto sobre o medo.

Pedra Bela - SP

Pedra Bela - SP

Era domingo, cedo, por volta de umas 07:00 hrs., celular toca, o convite me empolga, pego minha motoca e parto em direção a Pedra Bela, na companhia do guerreiro de guerra Alex, digo isto, pois não existe uma aventura que não seja topado por ele, com um olhar cômico, não há uma situação que não seja transformada em piada. Com ele aprendi a rir do inútil e a brincar com meus defeitos, ele é um clown ambulante.

O céu azul, o sol ardido que anunciava uma chuva futura e as paisagens serranas temperava ainda mais nossa viagem, embalados pela alegria de ir em direção ao desconhecido, íamos cantando na moto, nada era capaz de roubar nossa energia, nem mesmo uns Km andando a mais, por conta de se perdemos.

Chegando, nos deparamos com uma cidade muito simples, mais de uma beleza rara, Pedra Bela fica no interior de SP a uns 20 km de Bragança Paulista, tem cerca de 6.000 habitantes, de atrações que nos ganhamos conhecimento tinha: Um Santuário que fica no alto de uma pedra, umas cachoeiras que ficam a 12 Km do centro da cidade e que por conta da correria não podemos visitá-las e por fim, uma mega tirolesa de 1800 m que liga o santuário ao Centro da cidade.

A primeira coisa que fiz, foi obter informações a respeito da tirolesa, olhando de baixo para cima, parecia um desafio tranqüilo, nada que assusta-se, mais quando questionei um dos organizadores sobre a possibilidade de subir primeiro para conferir a altura, ele me disse: É melhor você ir direto para saltar, não é bom subir duas vezes. Sobre este questionamento fiquei intrigado e fui obstinado, como diz a musica tema de nossa peregrinação Payne’s Bay de Beirut. Subi para ver o que tinha.

Os 300 degraus não me assustaram, a motivação de estar no alto, fazia com que as dificuldades tornassem nulas, não havia obstáculo, o que havia era degraus que me levavam ao meu destino. Chegando no local a surpresa, olhar a tirolesa de cima para baixo era assustador, você não conseguia acompanhar a olho nu o cabo de aço, so de pensar na possibilidade de se lançar, entrei em pânico, veio a tona aquele sabor amargo e aquele sentimento de impotência, o medo fragilizou meu olhar e fez com que meu amigo grita-se: Arregoooooooooou!

Sim, encarar o meu medo olhando para ele trazia a sensação de impotência, mais quando dei as costas, fui decisivo na minha certeza, e disse para mim mesmo. Eu vou! Para saltar na tirolesa é preciso descer para preencher uma ficha (Que é o contrato do seguro de vida rs) no caminho que me levava até esta base, eu era outra pessoa, emocionalmente eu estava ligado no 220 volts, conversava com todo mundo, ficava me mexendo o tempo todo, não parava de cantar pois a busca pela fuga do medo, aflorava diversos tipos de comportamento.

Assinei o seguro de vida, coloquei o equipamento, paguei e subi novamente, na escada encontrei pessoas que diziam: você vai saltar? Então eu vou subir lá para ver. Era o primeiro salto do dia, isto já era mais que 11hrs da manhã. A pergunta que todos faziam era: Você esta com medo? Enquanto o equipamento era amarrado em mim, o vento batia sobre o meu rosto, na mente vinha a frase que a Missão Belém aderiu no seu estatuto que diz: As coisas mais bonita primeiro se faz, depois se pensa.

Até agora não sei se fiz uma coisa bonita, sei apenas vivenciei uma das experiências mais forte de minha vida. Aprendi que não sou capaz de anular meu medo, mais sou capaz de lidar com ele, e superá-lo da minha maneira. Uma coisa é certa, o melhor nem é o salto, o melhor é o pós-salto, ele vem carregado de leveza interior, e traz a sensação de superação.

Vale à pena!

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